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Entrevista a João Aurélio















Há cinco temporadas na Madeira a representar o Nacional, João Aurélio (ver artigo) parece ter finalmente assegurado um lugar no onze base dos alvinegros. Depois de em 2009/10 ter feito uma época interessante, o jovem alentejano perdeu espaço no plantel e só na segunda metade da última temporada é que voltou a afirmar-se na equipa titular. Dono e senhor da lateral direita do Nacional no momento, João Aurélio fala em exclusivo ao Rumo ao Estrelato, onde agradece ao seu actual técnico Manuel Machado, não escondendo igualmente o desejo de querer chegar mais longe na sua carreira.



RE – Começou a dar os primeiros pontapés na bola no Despertar e no Desportivo, equipas do distrito de Beja. Sonhava, por esta altura, tornar-se profissional de futebol?

JA - Sim. Desde pequeno que tive o sonho de ser profissional de futebol. A bola era o meu brinquedo preferido e não vivia sem ela e por isso ser jogador de futebol sempre foi o meu objectivo.


RE - Terminaria a sua formação no norte do país, ao serviço do Vitória de Guimarães. Como surgiu o interesse da turma vitoriana?

JA - Foi num torneio inter-associações. Entrei em representação da AF Beja, e num jogo contra a AF Lisboa as coisas correram-me de feição a tal ponto que o observador do Vitória de Guimarães me convidou para fazer um teste no clube. Fui, correu bem e lá fiquei.


RE - A sua estadia na Cidade-Berço durou apenas dois anos. Quais as razões para não ter sido integrado no plantel sénior?

JA - Foi uma questão de momento e de oportunidade. O treinador da altura, Manuel Cajuda, achou que não havia no plantel espaço para mim e, assim sendo, não tive outra opção que não a de seguir a minha carreira noutro lado.


RE - Cumpriu assim o seu primeiro ano no escalão sénior no Penalva do Castelo. Considerou, na altura, estar a dar um passo atrás na carreira?

JA - De maneira nenhuma. Naquela altura o mais importante para mim era jogar para poder evoluir. E como sempre fui um jovem com ambição, sabia que se tivesse oportunidade de mostrar o meu valor, certamente que seria reconhecido e chegaria a mais altos palcos. Como se costuma dizer, às vezes é preciso dar um passo atrás para poder dar dois à frente e foi com essa convição que tomei essa opção.















RE - As boas exibições que rubricou na 2ª Divisão suscitaram a cobiça de vários clubes, entre os quais o Sp. Braga e o Benfica. Como encarou esta situação?

JA - Com enorme felicidade, visto que são dois grandes emblemas. Estar associado a esses clubes é bom para qualquer jogador, especialmente para um que, como eu, estava à procura de dar o salto.


RE - Apesar de ser desejado por estes emblemas, optou por assinar pelo Nacional. A que se deveu esta escolha?

JA - Porque de todas as propostas que recebi foi o projeto que mais me aliciou, quer em termos de carreira pessoal, quer em termos de clube.


RE - Chegou à Madeira como extremo direito mas foi utilizado por Manuel Machado noutras posições. Considera que cresceu enquanto jogador, sobretudo a nível táctico?

JA - Sem dúvida alguma. O mister Manuel Machado foi muito importante na minha evolução enquanto jogador e o facto de ter sido utilizado em diversas posições deu-me outra maturidade competitiva e também uma maior visibilidade.


RE - RE - Acredita que esta polivalência lhe permitiu jogar mais vezes?

JA - Claro que sim. Mas acima de tudo, foi um voto de confiança nas minhas capacidades e que resultou em pleno.


RE - Sente que o salto na sua carreira estará para breve?

JA - Neste momento represento um clube de grande dimensão. De qualquer modo, e como qualquer pessoa neste mundo, quero sempre mais e melhor. Mas não estou obcecado com isso. A seu tempo as coisas irão acontecer.















RE – Foi chamado à seleção sub-21 dadas as suas performances no Nacional. Acredita que pode chegar à selecção A num futuro próximo?

JA - Qualquer jogador português tem o sonho de representar a selecção principal e eu não serei diferente. O facto de ter jogado nas selecções jovens não me dá a garantia de chegar lá, mas trabalho todos os dias para o conseguir.


RE – Descreva-nos o João Aurélio enquanto jogador.

JA - Não gosto muito de falar sobre mim até porque sou suspeito. Deixo isso para as outras pessoas.


RE – Na sua opinião, quais as principais promessas nacionais e internacionais que poderão despontar futuramente?

JA - No futebol português há muitos jovens com talento que estão à espera de uma oportunidade para mostrarem o seu valor e se afirmarem a nível nacional e internacional. Sou suspeito para falar dele, porque é meu irmão, mas um deles é o Luís Aurélio, que joga no Tondela. Mas há outros. O Jota, do Nacional, o Lucas, que está agora no Mirandela...


RE – Uma opinião sobre o Rumo ao Estrelato.

JA - É um blog muito interessante e que começa a desempenhar um papel cada vez mais importante na promoção e divulgação dos jovens talentos do futebol português.


RE – Partilhe um episódio da sua carreira que jamais esquecerá.

JA - Quando jogava nos escolas do Desportivo de Beja, o treinador teve uma ideia engraçada, visto que tenho um irmão gémeo e jogavamos os dois na mesma equipa, e como ele na altura destacava-se um pouco mais do que eu, e estava a ser alvo de marcação individual, o treinador lembrou-se ao intervalo de nos mandar trocar de camisola, passando ele a jogar com o número 8 e eu com o número 10. Resultou em pleno, pois estavamos a ganhar ao intervalo por 2-1, e como eles passaram a marcar-me em cima, deixando o meu irmão mais solto, acabámos por chegar aos 8-1!





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João Aurélio (CD Nacional)

A polivalência de um atleta é, geralmente, uma grande vantagem quer para o treinador de uma equipa quer para o próprio jogador. Se por um lado faz com que o atleta seja uma opção regular nas opções iniciais, dada a sua versatilidade posicional, por outro permite ao treinador alterar no decorrer dos jogos o sistema táctico sem que tenha que efectuar qualquer substituição, fazendo assim uso da polivalência do jogador.

Esta conjuntura é deveras aproveitada pelo Prof. Manuel Machado, que moldou João Aurélio num autêntico "todo-o-terreno", pois se na altura da sua chegada era visto como um bom médio ala direito, o alentejano tem-se revelado um jogador multifunções, tendo em conta as várias posições que já ocupou no terreno.

Natural de Beja, João Aurélio cumpriu grande parte da sua formação em duas equipas da sua cidade natal, tendo actuado, primeiramente, no Desportivo e, posteriormente, no Despertar. No entanto, uma incursão realizada pelo Vitória de Guimarães por terras alentejanas possibilitou-lhe a mudança para a Cidade Berço, tal como já havia acontecido com o seu conterrâneo Tiago Targino, realizando os dois anos de júnior com as cores vitorianas. Terminada a formação em 2007, o conjunto de Guimarães entendeu não celebrar um contrato profissional com o atleta, dado não estar muito interessado em pagar os direitos de formação aos dois clubes alentejanos.



Nome: João Miguel Coimbra Aurélio
Nascimento: 17/08/1988 (21 anos)
Naturalidade: Beja
Altura: 185 cm
Peso: 75 kg
Posição: Lateral-Direito / Médio Ala Direito
Clube: CD Nacional
Nº Camisola: 23

Perante isto, o jovem preferiu seguir a velha máxima futebolística - dar um passo atrás na carreira de forma a poder dar dois em frente -, prosseguindo o seu trajecto ao serviço do Penalva do Castelo. Na turma que alinhava na II Divisão, João Aurélio ganhou uma notável dimensão por força das suas exibições, valendo-lhe a chamada à selecção nacional de sub-20 e a cobiça por parte de emblemas prestigiados como o Benfica ou o Sp. Braga.

Ainda assim, o alentejano declinaria os convites apresentados ambas as equipas, decidindo rumar ao Nacional da Madeira, na medida em que poderia jogar com maior regularidade e, desta forma, atingir maior projecção a nível nacional. Na formação madeirense, o jovem seria sujeito a uma verdadeira "revolução táctica", pois, sendo um originário médio ala direito, actuaria noutras zonas, demonstrando ainda assim uma grande eficácia em todas as suas situações.

Na sua primeira época na Liga Sagres, o português seria utilizado com alguma intermitência, não sendo uma aposta constante do seu técnico que o utilizaria com maior frequência no final da temporada. Já esta época, o jovem tem-se destacado na turma alvinegra, fazendo parte das escolhas iniciais do mister Manuel Machado e igualmente dos técnicos interinos José Augusto e Jokanovic aquando da doença do treinador principal. Esta afirmação consolidou-se logo no início da temporada com os tentos obtidos frente ao Sporting e ao Zenit, em encontros que acabariam com resultados moralizadores para os insulares.

Sendo bastante rápido e competente nas suas funções, o jovem alentejano mostra-se sempre disponível em se sacrificar em prol do colectivo, sendo muitas vezes utilizado num esquema de 3-5-2 como lateral esquerdo ou, face à ausência do capitão Patacas, como lateral direito, para além de ter já actuado, inclusivamente, como avançado.

Irmão de Luís Aurélio, jogador do Moreirense, o jovem luso mereceu igualmente a atenção do seleccionador das esperanças portuguesas, que o incluiu no lote de atletas que representaram Portugal no Torneio de Toulon em 2009. As suas prestações iam agradando aos responsáveis federativos, acabando por ser convocado para a selecção de sub-21, estreando-se da melhor maneira com a obtenção de um golo frente à Lituânia, em encontro relativo à fase de qualificação do Europeu da categoria.

Com a boa prestação do Nacional na Liga Europa, os atletas da turma insular ganharam mais valorização e maior reconhecimento internacional, tendo inclusive alguns deles dado o salto para equipas mais ambiciosas. Tomando como exemplo os seus antigos companheiros Nenê e Rúben Micael, também eles apostas pessoais de Manuel Machado, o jovem tem todas as possibilidades de deixar em breve a Madeira e de singrar numa equipa com outros pergaminhos europeus, como de resto tem acontecido com o actual jogador do FC Porto. Assim, João Aurélio tentará dar sequência à boa réplica que vem preconizando, com o intuito de poder cumprir um objectivo comum a todos os futebolistas.

Filipe Jesus
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